Flamengo quebra o silêncio e faz acusação que repercute no Brasil
O Flamengo elevou o tom em relação à arbitragem do futebol brasileiro. Na tarde…

O Flamengo elevou o tom em relação à arbitragem do futebol brasileiro. Na tarde deste sábado, o clube divulgou uma nota oficial na qual afirma existir uma percepção de que o Palmeiras vem sendo beneficiado por decisões da arbitragem ao longo das últimas temporadas. O posicionamento foi publicado após o aumento das discussões sobre critérios adotados pelos árbitros e pelo VAR no Campeonato Brasileiro.

No comunicado, o Rubro-Negro destaca que o debate não se baseia apenas na rivalidade esportiva, mas também em números levantados pelo Espião Estatístico, do ge. Segundo o clube, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, o Palmeiras lidera o número de decisões alteradas a seu favor, além de apresentar o maior saldo positivo entre os principais clubes do país.
Apesar disso, o Flamengo faz questão de ressaltar que as estatísticas, isoladamente, não comprovam qualquer favorecimento, mas ajudam a explicar por que o tema continua sendo discutido por torcedores, profissionais do futebol e pela opinião pública.
Por que o Flamengo publicou uma nota sobre a arbitragem?
A manifestação rubro-negra acontece em meio ao aumento das discussões envolvendo decisões da arbitragem após o retorno da Copa do Mundo.
Na nota oficial, o clube afirma que o Palmeiras acumula 65 decisões alteradas a seu favor pelo VAR desde 2020, contra 47 decisões contrárias, resultando em um saldo positivo de 18 lances, o maior entre os principais clubes do futebol brasileiro.
Além disso, o Flamengo cita dados do Campeonato Brasileiro de 2026. Segundo o levantamento apresentado, o Palmeiras é a quinta equipe que mais precisa cometer faltas para receber um cartão amarelo, com média de 6,72 infrações por advertência. O comunicado também afirma que os adversários do clube paulista aparecem entre aqueles que mais recebem cartões amarelos e vermelhos quando enfrentam a equipe.
Mesmo apresentando esses números, o Flamengo adota cautela ao afirmar que eles, por si só, não comprovam favorecimento.
“Nenhum dado, isoladamente, comprova favorecimento. Mas estatísticas acumuladas ao longo de sete temporadas ajudam a explicar por que esse debate não acaba e segue sendo pauta de todos os envolvidos com o futebol”, diz um trecho da nota oficial.
O que o Flamengo criticou no comportamento dentro de campo?
Além das estatísticas, o clube também criticou atitudes que considera recorrentes durante as partidas.
No texto, o Flamengo afirma que se tornou frequente ver jogadores e integrantes de comissões técnicas cercando árbitros para pressionar decisões, mesmo em lances considerados simples, como cobranças de lateral.
Segundo o clube, esse comportamento teria se transformado em uma estratégia coordenada para influenciar a arbitragem ao longo das partidas.
O Rubro-Negro também reconheceu os investimentos feitos pela CBF na profissionalização da arbitragem, como treinamentos, novas tecnologias e divulgação dos áudios do VAR. No entanto, ressaltou que a responsabilidade final continua sendo dos árbitros de campo e da equipe de vídeo, que interpretam os lances e aplicam as regras.
Para o Flamengo, erros graves precisam ser tratados com maior rigor, principalmente porque decisões equivocadas podem influenciar diretamente a disputa por títulos, vagas em competições internacionais e até o rebaixamento.
Qual foi o principal recado do Flamengo?
Na parte final do comunicado, o clube defendeu que o futebol brasileiro precisa voltar a discutir mais o jogo e menos a arbitragem.
Segundo o Flamengo, isso só será possível quando os árbitros adotarem critérios uniformes, coibirem comportamentos considerados antidesportivos e aplicarem as regras da mesma forma para todos os clubes.
O Rubro-Negro também citou a Copa do Mundo como exemplo de arbitragem mais firme e afirmou que os profissionais brasileiros deveriam seguir o mesmo padrão apresentado na competição internacional.
Por fim, o clube reforçou que a credibilidade do futebol depende diretamente da atuação da arbitragem e concluiu o manifesto com uma mensagem direcionada aos responsáveis por conduzir as partidas.
“O futebol é paixão e um grande negócio. Por isso, precisa de confiabilidade por quem é incumbido de cumprir as regras do jogo.”
Com a publicação da nota oficial, o Flamengo entra oficialmente no debate sobre os critérios da arbitragem brasileira e aumenta a pressão por mudanças na condução das partidas do Campeonato Brasileiro. A manifestação também amplia a repercussão da troca de posicionamentos entre clubes nas últimas semanas e promete manter o tema em evidência nas próximas rodadas.
Veja a nota na íntegra
“Após o retorno da Copa do Mundo, o debate sobre arbitragem voltou a ocupar o centro do futebol brasileiro. E isso não acontece por acaso.
Nos últimos anos, consolidou-se entre torcedores, profissionais do futebol e parte significativa da opinião pública a percepção de que um determinado clube vem sendo reiteradamente beneficiado por decisões de arbitragem. Essa percepção não nasce apenas da rivalidade esportiva. Também encontra respaldo em números.
Levantamento do Espião Estatístico, do ge, mostra que, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, até o Campeonato Brasileiro de 2026, o Palmeiras acumula o maior número de decisões alteradas a seu favor (65), o menor número de decisões contrárias entre os principais clubes do país (47) e o maior saldo positivo do futebol brasileiro (+18). Também lidera o número total de intervenções do VAR.
Os números desta edição do Brasileirão seguem na mesma direção. O Palmeiras é a 5ª equipe que mais precisa cometer faltas para receber um cartão amarelo (6,72 faltas por advertência), enquanto seus adversários figuram entre os que mais recebem cartões amarelos e vermelhos ao enfrentá-lo.
Nenhum dado, isoladamente, comprova favorecimento. Mas estatísticas acumuladas ao longo de sete temporadas ajudam a explicar por que esse debate não acaba e segue sendo pauta de todos os envolvidos com o futebol.
Também merece reflexão o comportamento adotado dentro e fora de campo. Tornou-se frequente assistir a jogadores e comissões técnicas cercando árbitros, reclamando de forma ostensiva e se colocando na condição de vítimas mesmo após faltas evidentes ou até mesmo um simples lateral. Uma ação estudada e coordenada.
É importante reconhecer os investimentos realizados pela CBF e os avanços promovidos pela Comissão de Arbitragem, com treinamentos, divulgação dos áudios do VAR e implementação de novas tecnologias. No entanto, não são elas que executam as regras que, eventualmente, acabam decidindo jogos. Na partida entre Vitória e Palmeiras, por exemplo, as decisões foram tomadas por Alex Gomes Stefano, em campo, e Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, no VAR.
São os árbitros que interpretam os lances, aplicam as regras e tomam decisões capazes de alterar tabelas, influenciar disputas por títulos, vagas e rebaixamentos. Por isso, também precisam ser responsabilizados quando cometem erros graves, quando são passivos em relação à pressão até mesmo em cobranças de lateral, e quando não coíbem o mau comportamento sistemático, como determinam as regras. A Copa do Mundo, recentemente, mostrou o caminho; árbitros e atletas que lá estiveram, muitos deles jogando no Brasil, lá, atuaram de acordo com a regra do “jogo limpo”, e deveriam fazer o mesmo aqui.
O futebol brasileiro precisa voltar a discutir mais o jogo do que a arbitragem. Isso só será possível quando os árbitros adotarem critérios claros e deixarem de premiar equipes que utilizem a pressão durante todo o jogo como estratégia. As regras devem ser cumpridas, por todos, inclusive pelos árbitros.
O futebol é paixão e um grande negócio. Por isso, precisa de confiabilidade por quem é incumbido de cumprir as regras do jogo.”
Leia também
Ver todas


